sexta-feira, 1 de julho de 2011

Como tudo começou - Parte II

É, se não fosse trágica, minha frase seria cômica, mas agora já era tarde, o homem estava no meu carro, pediu apenas para que eu continuasse dirigindo, mais nada. Eu, apavorada, já nem sabia mais o que pensar, o que me consolava era pensar que seu tivesse fugido poderia ter levado uma bala na nuca, mas eu estava viva, talvez tivesse alguma chance.
O que ele poderia querer comigo? Um homem bem vestido, eu pude ver com o canto dos olhos, será que é um assalto? Mas porque ainda não pediu-me dinheiro,não mandou-me descer do carro?
- Você conhece o antigo pavilhão onde funcionava aquela empresa de produtos automotivos? - perguntou ele com sua voz grave e firme.
- Sssim. - respondi com um fio de voz.
- É pra lá que eu quero que você vá agora e mais rápido.
Eu obedeci àquela ordem, e depois daquele momento o meu nervosismo tornou-se medo e comecei a imaginar as coisas horríveis que ele poderia tentar fazer comigo. Minhas mãos estavam tão geladas que eu mal conseguia sentir a direção do carro. Rezei em pensamento, nunca senti tanto medo em minha vida.
Chegando lá, parei o carro no portão, que logo se abriu sem que o homem apertasse um único botão, havia mais gente naquele lugar.
Seria um sequestro? Mas o que iriam querer com alguém que mal tem dinheiro para pagar a faculdade? Eu não encontrava uma resposta. Parei o carro onde ele mandou, desceu, bateu a porta e com frieza também puxou-me para fora. Aquele lugar parecia deserto, uma escuridão imensa tomava conta de tudo, mas ele sabia exatamente o caminho. Com um chute ele abriu uma porta e empurrou-me para dentro com toda força. Era uma sala pequena, escura, tinha apenas uma janelinha com menos de quinze centímetros de diâmetro.
- Não grite e não tente fazer nada e você sai viva, do contrário, se a polícia se meter no meio eu estouro sua testa com um só tiro, sem dó nem piedade. - Falou ele olhando seriamente no meu olho. Logo bateu a porta e eu pude ouvir o cadeado sendo fechado.
Estiquei-me na ponta dos pés, e pela janela apenas avistei um muro preto, enorme, que deixava o lugar ainda mais assustador. Ouvi uns tiros, que pareciam ser bem perto, sentei-me no chão e não consegui segurar as lágrimas que insistiam em cair. Eu sabia onde estava,mas ao mesmo tempo parecia estar do outro lado do mundo, onde ninguém poderia escutar-me.
Um vento frio entrou pela pequena janela, procurando aquecer-me, coloquei as mãos no bolso do casaco, senti algo gelado e tão leve, quase imperceptível, puxei tão rápido que quase rasguei o tecido úmido. Era o telefone celular da minha irmã. Lembrei rapidamente da minha mãe falando que havia colocado no bolso do meu casaco, pois minha irmã iria buscá-lo no meu serviço.
Minha mãe, sempre protetora, conseguiu salvar-me até mesmo sem estar por perto.
Não havia nenhum número salvo na lista de contatos, possivelmente era um chip novo que minha irmã havia colocado, e naquele momento não consegui lembrar-me de um único número de um parente, um amigo, qualquer pessoa próxima que pudesse ajudar-me. Com medo de que o homem voltasse eu disquei os oito primeiros números que vieram na minha cabeça, iniciando com os números dos telefones da minha cidade.
-Pronto? - respondeu uma voz grave e muito gentil.
- Me ajude! - eu implorei já chorando.
- Como? Quem está falando? - perguntou ele, achando que era uma brincadeira.
- Por favor não desligue. - Um homem armado parou-me na sinaleira, entrou no meu carro, e agora estou trancada numa salinha no antigo pavilhão daquela antiga empresa automotiva, sabe onde fica?
- Moça, acho que você deve ligar para a polícia, ou os bombeiros, eu...
- Moço, você não entendeu, nem eu acredito que achei esse celular no meu bolso e estou conseguindo pedir ajuda. É sério, talvez esse cara entre aqui de novo e cumpra a promessa que fez de dar um tiro na minha cabeça - eu me calei esperando uma resposta, ele ficou em silêncio também. Com medo de que ele desligasse continuei:
- Ele deixou claro que não quer a polícia metida nisso, você é o único que pode ajudar-me de alguma forma. Por favor, tire-me daqui...
- Fique calma, eu vou ajudar você. Mesmo que eu chegue ai e você ria da minha cara dizendo que cai na sua pegadinha, pelo menos não ficarei com a consciência pesada de não ter ajudado alguém desesperada como você parece estar...
- Eu juro pelo que mais amo que isso é verdade, você vai ver.- disse aos prantos.
-Não chore, eu vou tirar você dai.
- Ei! - Eu gritei antes que desligasse.
-Sim?
- Obrigada!
Desliguei o telefone dois segundos antes de acabar a bateria, eu acordei com pressa e acho que sem querer coloquei o pé esquerdo primeiro no chão...

Em breve tem a parte III!
Boa noite!

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